• Fernanda Garcia

Serviço de atendimento aos acamados de Sorocaba convive com furtos e sucateamento

Fernanda Garcia (PSOL) realiza visita no SAD e constata diversos problemas estruturais, de segurança e de déficit de servidores


A vereadora Fernanda Garcia (PSOL) visitou na última sexta-feira (15/05), o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), popularmente conhecido como o “serviço de atendimento aos acamados” de Sorocaba, vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SES). O cenário narrado pela vereadora é de pleno sucateamento, por parte da prefeitura.




De acordo com a vereadora, nos últimos meses pelo menos dois carros tiveram os vidros estourados e as baterias furtadas. Também foram furtados o bebedouro e tubulações de encanamento. Mas não é apenas o patrimônio que tem sofrido com a falta de segurança: os próprios servidores da SAD sofreram assaltos em frente ao prédio público, que fica localizado na avenida Afonso Vergueiro, ao lado do trilho da ferrovia.


“Nós acabamos de fazer uma audiência pública na Câmara para discutir a gravidade das invasões das escolas municipais, entretanto, esse não é um problema exclusivo da educação. Estamos vivendo uma onda de assaltos em diversos prédios públicos da cidade, como resultado da política de abandono dos últimos governos municipais e que continua nessa nova administração”, afirma Fernanda, lembrando os fatores que levaram a essa situação.


“Há anos, Sorocaba vive uma desidratação do serviço público. Hoje, temos 1/4 a menos de servidores públicos municipais na ativa, se comparado com 2012, por exemplo. No caminho inverso, a população da cidade tem aumentado. O resultado é que cada vez mais os servidores ficam sobrecarregados nas suas atribuições. A GCM, por exemplo, há anos não abre concurso. Para agravar esse quadro, os últimos governos passaram a adotar uma lógica de uso da corporação para atribuições de Polícia Militar, abandonando a função mais importante dos Guardas Municipais, que é a defesa do patrimônio público”, destaca.


De acordo com a vereadora, além desses furtos na área externa do prédio, há um grande temor de que eles também passem a acontecer no seu interior, onde há medicamentos, insumos, computadores e arquivos importantes para o atendimento aos cidadãos que dependem do serviço de atendimento domiciliar.



Problemas na SAD não se limitam a segurança


Para além da insegurança do patrimônio e da integridade dos servidores, há outros problemas extremamente graves que os servidores do atendimento dos acamados enfrentam no cotidiano.


Fernanda reforça que o impacto do déficit de funcionários, além da segurança do prédio, atinge também o próprio serviço prestado.


“A base do trabalho do atendimento aos acamados ocorre com as visitas em domicílio. Entretanto, na maioria das vezes, as equipes precisam revezar entre as que vão ao trabalho in loco e as que ficam na base operacional, pelo fato de que não há veículos e motoristas disponíveis para todas trabalharem em campo ao mesmo tempo. Essa defasagem atrapalha a parte mais importante do programa e afeta diretamente no tempo de visita e acompanhamento dos pacientes assistidos”, aponta.

Outro ponto que afeta decisivamente no trabalho do SAD é o “desleixo” da Prefeitura com a organização da Estratégia de Saúde da Família (ESF), o que sobrecarrega o atendimento domiciliar dos acamados.


“Os pacientes assistidos pelo SAD são classificados em três categorias: AD1, AD2 e AD3, que se referem ao grau de complexidade dos pacientes de atendimento domiciliar. Sendo o nível 1 de baixa, 2 de média e 3 de alta complexidade. Se Sorocaba organizasse de maneira efetiva e universal a Estratégia de Saúde da Família, a categoria AD1 poderia ser totalmente atendida pela ESF, deixando apenas as categorias 2 e 3, que exigem um acompanhamento mais aprimorado pelo Serviço de Atendimento Domiciliar”, explica.


De acordo com Fernanda também há graves problemas estruturais no prédio que “passa uma falsa sensação ao lado de fora, parecendo maior do que realmente é”. Ela descreve que o terreno tem dois blocos, um que comporta as equipes operacionais, divididas pela região de atendimento; e o outro o serviço social, psicológico, recepção e o departamento administrativo. A vereadora relata que, principalmente, o bloco que comporta o departamento administrativo não oferece condições dignas de trabalho aos servidores.


“Há pelo menos três grandes focos de goteiras e infiltrações. Em dias de chuva, os servidores precisam afastar as mesas para poder trabalhar. Em alguns ambientes, como a cozinha, é preciso ficar com baldes espalhados no ambiente para armazenas a queda d’água de um vazamento do teto. A sala de almoxarifado não comporta os arquivos. Há salas sem janela, com ventiladores que não funcionam por falta de instalação elétrica. A sala de atendimento psicológico não tem nem porta. Os servidores não têm o fornecimento pela prefeitura de bebedouro ou filtro nas suas repartições de trabalho, precisam trazer garrafinhas da casa ou comprar galões do próprio bolso. Sem contar a situação dos motoristas, que não possuem um espaço para aguardar o entreturno das viagens”, descreve a vereadora.


Fernanda fará um questionamento oficial à prefeitura, apontando todos os problemas do SAD e cobrando providências e prazos para a sua resolução.




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