• Fernanda Garcia

Sim, é possível!

Candidatura de Guilherme Boulos e Luiza Erundina chega ao segundo turno, cresce nas pesquisas e pode ganhar a prefeitura de São Paulo




Independente do resultado das eleições municipais, uma vitória já foi conquistada: a derrota do bolsonarismo como força hegemônica na sociedade.


Bolsonaro apoiou 13 candidaturas abertamente nessas eleições municipais. Apenas duas se elegeram, mas foram de cidades com menos de 200 mil eleitores, ou seja, sem segundo turno. Das outras 11 candidaturas, nove foram derrotadas já no primeiro turno e outras duas seguem para o segundo turno: no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Nas duas cidades, os apoiados pelo presidente estão atrás nas pesquisas.


Da grande sequência de derrotas dos seus aliados, a mais expressiva delas foi na capital paulista, com a ultrapassagem da candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à campanha de Celso Russomano (Republicanos). Russomano liderava a disputa eleitoral, entretanto quanto mais próximo ele ficava de Bolsonaro, mais ele caía nas pesquisas.


Se as eleições municipais eram tidas como um grande teste da popularidade do presidente, a população parece estar dando a resposta nas urnas pelo que tem sofrido na pele: continuidade do desemprego, o aumento brutal da cesta básica, a piora dos serviços públicos, como saúde, educação e assistência social, e além de tudo isso, a falta de políticas sociais para enfrentar a pandemia.



O desafio não termina nas eleições


A vitória de um projeto totalmente antagônico ao do presidente na maior e mais rica cidade do País pode significar e estimular também uma virada nacional contra a escalada do autoritarismo e da extrema-direita, que prometeu um Brasil diferente nas últimas eleições e não cumpriu.


Mas, é importante termos a lucidez de que não basta vencer as eleições!


Os prefeitos e prefeitas de todo o Brasil terão um desafio real: administrar os problemas sociais que explodem nas cidades, em decorrência a nossa condição de economia capitalista dependente, que enfrenta uma grave recessão econômica, agravada pela pandemia.


Estamos falando sobre o desemprego, informalidade, alta do preço dos alimentos e a redução sistemática de envio de recursos Federais para subsidiar os serviços públicos. Dramas de escala nacional que têm tornado a vida nas cidades um desafio cada vez mais difícil.


Uma eventual prefeitura do PSOL terá algumas grandes tarefas na capital paulista: radicalizar o governo contra o poder econômico local; colocar em discussão e prática um amplo e profundo debate sobre a reforma urbana; aprofundar a democracia e a participação das pessoas com conselhos populares e debate do orçamento público municipal; oferecer educação política e o estímulo a auto-organização dos trabalhadores etc.


Nesse momento, nossa tarefa urgente é defender a eleição de Boulos e Erundina e, com eles, a chegada de um projeto da classe trabalhadora na prefeitura!


Mas depois, precisamos também aprofundar a discussão sobre a experiência de um governo de esquerda. Não podemos nos propor a ser apenas gerentes da lógica de exclusão e injustiças do capitalismo. Quando a esquerda se limitou a isso, trouxe apenas frustração à classe trabalhadora. Temos que formar um legado de consciência para a emancipação das pessoas e usar as experiências no poder para afirmar a necessidade da construção de outra sociedade!








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